Estória: narrativa de lendas, contos tradicionais de ficção.

História: narração ordenada, escrita dos acontecimentos e actividades humanas ocorridas no passado.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Sexta-Feira 13

Uma ou seja, uma Sexta-feira no dia 13 de qualquer mês, é considerada popularmente como um dia de azar. Paraskavedekatriaphobia é o medo/fobia da Sexta‑feira 13. [4]

Dia escolhido segundo a cultura poular, a Sexta-feira 13 é conhecida como "o dia do azar" ou de "usar amuleto no bolso". A crença europeia revela que nas "Sextas-feiras 13, as bruxas estão soltas". A superstição de evitar 13 convidados à mesa é tradicional como uma reminiscência da Última Ceia, quando Jesus Cristo ceou com os seus 12 apóstolos, anunciando-lhe a traição de um deles e seu próprio martírio". [1]

A crença de que o dia 13, quando cai numa sexta-feira, é dia de azar, é a mais popular superstição entre os cristãos. Há muitas explicações para isso.


Os Templários

Esta superstição pode ter tido origem numa rixa entre o rei francês Filipe, o Belo, e a Ordem dos Templários, no séc. XIV, tendo o monarca declarado ilegal a Ordem. Os Templários foram presos simultaneamente em todo o país e alguns torturados e, mais tarde, executados por heresia. Isto ocorreu em 13 de Outubro de 1307. [1] [2]

Jesus Cristo

Outra possibilidade para esta crença reside no facto de que Jesus Cristo foi crucificado provavelmente numa sexta-feira treze. Na sua última ceia sentaram-se à mesa 13 pessoas, Jesus mais os 12 apóstolos [2] [3] [4], sendo que duas delas, Jesus e Judas, morreram em seguida, por mortes trágicas, Jesus por execução na cruz e Judas, provavelmente, por suicídio. [4]

Última Ceia de Leonardo da Vinci


Mitologia Nórdica

Antes disso, porém, existem versões que provêm de duas lendas da mitologia nórdica. Na primeira delas, conta-se que houve um banquete e 12 deuses foram convidados. Loki, espírito do mal e da discórdia, apareceu sem ser chamado e armou uma briga que terminou com a morte de Balder, o favorito dos deuses. Desta lenda surgiu a crença de que convidar 13 pessoas para um jantar era desgraça certa. [2] [3] [4]

A outra lenda nórdica envolve Friga (que deu origem a friadagr, sexta-feira), a deusa do amor e da beleza. Quando as tribos nórdicas e alemãs se converteram ao cristianismo, Friga foi transformada em bruxa. Como vingança, ela passou a se reunir todas as sextas com outras 11 bruxas e o demónio, ficando os 13 a rogar pragas aos humanos. [2] [4]


Bibliografia:
[1] Buonfiglio, M., s/ data. Sexta-feira – 13. Site disponível: Terra – Esotérico, URL:
http://www.terra.com.br/esoterico/monica/colunas/2006/01/13/000.htm.
[2] Duarte, M., s/data. Sexta-Feira 13. Site disponível: O Guia dos Curiosos, URL:
http://guiadoscuriosos.ig.com.br/index.php?cat_id=50570.
[3] Piccoli, V., s/ data. Sexta-Feira 13. Site disponível: Terra – Páginas Pessoais, URL:
http://paginas.terra.com.br/educacao/calculu/Artigos/Curiosidadesmat/sexta.htm.
[4] Wikipédia, 2007. Sexta Feira 13. Site disponível: Wikipédia – A Enciclopédia Livre, URL:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sexta_Feira_13.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

As Maias

Todos os anos, de 30 de Abril para 1 de Maio é tradição no Minho, Douro e Beira Alta, que se coloquem à porta ou janelas de casa ramalhetes de giestas amarelas, também conhecidas por maias por florirem em Maio. Todavia, noutras regiões de Portugal é também celebrado, embora de forma algo diferente [1].


Leite de Vasconcelos [3] refere o costume português das Maias como a mais antiga menção desta festa popular, festa evidentemente naturalística, posto mais ou menos desviada da sua significação primitiva, já pelo próprio Paganismo, já pelo Cristianismo, creio que se acha nestas linhas da Postura da câmara de Lisboa de 1385: «Outro sim estabelecemos que daqui em diante em esta Cidade e em seu termo não se cantem as Janeiras nem Maias, nem outro nenhum mês do ano».


É referido também que as origens desta tradição, de reminiscências pagãs, encontra-se ligada a ritos de fertilidade, do início da Primavera e do novo ano agrícola, tal como se afirme que afasta o mau-olhado e as bruxas de casa [1] [2].


As Maias propriamente ditas constam de duas partes: o enramalhamento das portas, e o “Maio-moço”. A primeira é celebrada no 1º de Maio no Minho, Douro, Beira Alta, entre outros, onde se enfeitam “as portas das casas com ramos de giestas, chamadas Maias (…). O povo dá destes costumes duas explicações (…):

  1. Quando a Virgem foi para o Egipto, deixou pelo caminho muitos ramos de giesta para não se enganar na volta;
  2. Quando Jesus Cristo nasceu, os Judeus procuraram-no para o matarem, e, como soubessem que ele estava em certa casa, colocaram-lhe à porta um ramo de giesta, a fim de no dia seguinte o prenderem. Nesse dia porém, todas as casas da povoação apareceram marcadas, e os Judeus não puderam dar com ele [3].


Com o advento do Cristianismo atribuiu-se a este velho ritual pagão um carácter religioso ligado à Festa da Santa Cruz e, mesmo, ao Corpo de Deus. A lenda, alusiva a esta tradição, que com mais frequência se ouve no Alto Minho, reza assim: Herodes soube que a Sagrada Família, na sua fuga para o Egipto, pernoitaria numa certa aldeia. Para garantir que conseguiria eliminar o Menino, Herodes dispunha-se a mandar matar todas as crianças. Perante a possibilidade de um tão significativo morticínio, foi informado, por um outro "Judas", que tal poderia ser evitado, bastando para isso, que ele próprio colocasse um ramo de giesta florida na casa onde se encontrava a Sagrada Família, constituindo um sinal para que os soldados a procurassem e consumassem o crime... A proposta do "Judas" foi aceite e Herodes tratou de mandar os seus soldados à procura da tal casa. Qual não foi o espanto dos soldados quando, na manhã seguinte, encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta, gorando-se, assim, a possibilidade do Menino Jesus, ser morto [2].

Daí terá vindo essa tradição de colocar ramos e giestas (ou conjuntamente com outras flores, coroas), nas portas e janelas das casas, na véspera do 1º de Maio. De registar, ainda, que no Alto Minho este costume se estende aos carros de bois, aos automóveis, aos tractores, etc. Em certas localidades, coloca-se o raminho de giesta porque... o Maio é tolo! Noutras, os rapazes que estão para casar, metem por baixo das portas das casas das moças "de bom comportamento" (sem disso elas se aperceberem) uma "maia de rosas" [2].

Publish: Sandra Fernandes


Bibliografia:


[1] Falcão do Minho, 2006. Tradição das Maias. Site disponível: Jornal Falcão do Minho; URL: http://www.falcaodominho.pt/jornal/fm_news.php?nid=38.

[2] RTAM, 2004. Os Maios… As Maias. Site Disponível: RTAM – Região de Turismo do Alto Minho; URL: http://www.rtam.pt/index.php?id_categoria=3&id_item=410.

[3] Vasconcelos, José Leite de, 1938. OPÚSCULOS Volume V – Etnologia (Parte I). Imprensa Nacional, Lisboa.